Uma palmadinha faz mal?

Hoje, 18 de maio, é Dia Nacional da Luta contra o Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e eu gostaria de aproveitar e registrar a minha opinião sobre um assunto relacionado que me incomoda bastante.

Sempre fui terminantemente contra bater em crianças. Mas sempre que falo isso costumo escutar: “Eu também, mas claro que uma palmadinha ou um tapinha na mão, só para corrigir, não tem problema”. Para mim tem problema sim. Bater é bater. Eu nunca bati em meus filhos, nunca dei nem um único tapinha na mão.

As pessoas costumam repetir essa história do tapinha educativo com tanta naturalidade que eu acho que elas muitas vezes, sequer, pararam para refletir se isso de fato é educativo. Devem ter crescido levando tapinhas de leve que se, felizmente, não causaram nenhum dano, também nada acrescentaram.

Sou contra qualquer tipo de violência ou coação. Acredito no diálogo acima de tudo. No momento em que precisamos bater em uma criança estamos nos dando um atestado de incompetência como pais e educadores. Criar filhos é educar. E o grande desafio de educar está exatamente nos momentos difíceis. Muitas vezes não é fácil lidar com crianças, elas sabem como tirar a gente do sério e testam nossos limites a todo instante. Mas mesmo nesses momentos o que elas buscam são respostas.

Educar uma criança é um exercício de reflexão, argumentação, negociação e muitas vezes também de autocontrole. Como mãe eu devo passar valores e ensinar o que considero certo, o que julgo errado, o que é melhor em determinado momento e devo dizer não muitas vezes. Em certas ocasiões, geralmente de forma inesperada, as crianças ficam descontroladas e dão os famosos ataques de pirraça. Mas é principalmente nesses momentos que devemos explicar o porquê das nossas ações. Porque dissemos não a alguma coisa, por exemplo. A criança pode até ficar muito chateada com a sua posição, mas a explicação vai ajudar a criança a lidar com suas frustrações e a não repetir a pirraça.

Lembre-se sempre que você é o maior exemplo para o seu filho. Suas atitudes se refletem nas atitudes de seus filhos. Como você pode dizer para um filho que ele não pode bater no coleguinha se você não dá esse exemplo? Mesmo bem pequenininhos eles entendem mais do que a gente imagina. Basta adequar seus argumentos a idade da criança.

Nos momentos mais difíceis tente se acalmar e organizar suas idéias antes de conversar com a criança. Seja sempre firme e coerente. Mas jamais confunda firmeza com gritos ou ameaças.

Outro dia em um evento social observei uma mãe que a cada momento que o filho de uns quatro anos não a obedecia ela ameaçava mandá-lo para um colégio interno. Ela perdeu preciosos momentos de ensinar uma série de coisas a respeito de convívio social e ficou apenas alimentando um medo desnecessário na criança.

Esse processo também é muito rico para nós como pais, pois sempre que vamos educar nossas crianças conversando, organizamos nossas idéias e vamos revendo e avaliando vários conceitos em busca do que acreditamos ser o melhor para nossos filhos. Claro que no fim eles vão decidir por si só, e a idéia é exatamente essa, formar pessoas críticas capazes de fazer suas próprias escolhas com responsabilidade, mas tendo em mente que sempre seremos suas maiores referências.

Passe a diante essa idéia! Nem mais um tapinha!

 Seja você também um agente de transformação!

A Campanha Nacional Não Bata, Eduque tem como objetivo desenvolver ações de mobilização social com o objetivo de promover uma reflexão sobre o uso dos castigos físicos e humilhantes, conscientizando a sociedade sobre os direitos das crianças de terem sua dignidade e integridade física respeitadas por meio de uma educação livre dos castigos físicos e humilhantes e baseada em estratégias disciplinares positivas.

Para atingir este objetivo a Campanha trabalha a partir de um enfoque positivo e não culpabilizador dos pais, ou seja, reconhecendo que a educação dos filhos é uma tarefa difícil e complexa para a qual os pais precisam de apoio no reconhecimento de formas educativas que não utilizam a violência física e psicológica e que promovem o desenvolvimento físico, emocional e social dos filhos de forma saudável e participativa

Mais informações: www.naobataeduque.org.br

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1 Resposta para “Uma palmadinha faz mal?”

  1. concordo plenamente, isto deve ser feito por toda mãe, que ama seu filho de verdade.

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