A chegada do irmãozinho

Meus filhos têm 2 anos e 10 meses de diferença. Um espaço bem confortável. A mais velha não usava mais fraldas nem mamadeira, já comia sozinha e se expressava muito bem quando o irmão nasceu. Também não usava mais carrinho, felizmente pois nem caberiam dois carrinhos no porta-malas do carro. Ao mesmo tempo ainda são bem próximos e espero que sejam grandes amigos e companheiros.

 Durante a gravidez preparei a Vitória com muita conversa para a chegada do irmão. Falava para ela prestar atenção como a barriga estava crescendo. Falava que o irmãozinho já estava bem grande e que estava chegando a hora da médica tirar ele de lá.

 Ela não demonstrava muita empolgação nem rejeição, mas estava atenta a tudo. Evitávamos falar o tempo todo sobre o assunto na frente dela, mas às vezes era inevitável. Em um episódio, no carro, comentei com meu marido que iria ver se eu aproveitaria algumas roupas que tinham sido da Vitória. Ela que aparentemente não estava prestando atenção gritou: “as minhas roupas não, não é para dar pro irmãozinho as minhas roupas!”

 Na ultra-sonografia em que descobrimos o sexo do Rafael ela estava presente, e ao contrário do que imaginei, imediatamente fez a associação de que o que estava na tela era o que estava dentro de mim. Incrível.

 Ela ainda dormia no berço que seria do irmão e para ter uma transição tranqüila, três meses antes, compramos uma mini-cama. Ela adorou a idéia de dormir em uma cama de princesa. Só quando o irmão nasceu é que eu perguntei para ela aonde ele dormiria e então ela respondeu que ele poderia ficar no berço.

 Quando foi visitar o irmão na maternidade ficou um pouco frustrada pois achou que iria pegá-lo no colo e levar para casa, mas só pode vê-lo através do vidro do berçário.

 Os primeiros meses são bem difíceis, é muito complicado se dedicar ao bebê e a uma criança de três anos. A Vitória ainda demanda muita atenção e naturalmente é a mãe que ela quer. Não podemos terceirizar o filho mais velho, principalmente porque ele sempre foi o centro das atenções.

 No início o bebê fica no peito por muito tempo e até a nossa mobilidade é limitada. A criança mais velha sente bastante pois ela está acostumada a ser atendida na hora que pede alguma coisa. Em um dia já muito nervosa de ouvir para esperar ela falou: “mamãe, um peito para cada um”, querendo dizer, um pouco para cada um.

 A relação com o irmão se constrói aos poucos. Nos primeiros meses a Vitória não demonstrou ciúme algum mas também não ligou muito para o irmão. Acho que ela o achou muito sem graça pois não fazia nada. Agora que o Rafael está com oito meses é que começamos a ver que eles já têm um relacionamento. Ele fica encantado só de ouvir a voz dela. Os olhos brilham. E ela já brinca com ele sentadinho no chão e imita minhas frases de forma maternal. Quando ele chora ela fala: “calma Rafinha, está tudo bem”.

 Desde o início procurei envolvê-la nos cuidados com o irmão, e as meninas adoram isso. Trocar fraldas, pentear. Procuro fazer atividades com os dois juntos e também separadas, com um de cada vez. Eles são indivíduos únicos, não só parte de um conjunto. E assim vamos indo, aprendendo, crescendo e construindo uma família feliz.

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